Uma carta pra qualquer um

by - 16:39

Olá pessoas,

Relatarei em forma de carta uma experiência que tive enquanto assistia a cerimônia de abertura das Olimpíadas. Isso é bem pessoal, e todas as palavras aqui são apenas ideias minhas que eu sinto uma grande necessidade de compartilhar com vocês, concorda e aceita quem se mobilizar, quem não: apenas respeite.


"Eu nem sei por onde começar, mas talvez seja mais fácil expressar o que puramente estou sentindo nesse momento. Sinto uma energia muito grande em meu corpo, minhas mãos estão formigando, um pouco anestesiadas, sinto a eletricidade da energia me fazer tremer, vibrar. Que energia é essa? Quanta energia esse país possui, não é mesmo? O Brasil é lindo. O Brasil é uma mistura linda. O brasileiro é composto por cada canto do mundo e neste momento, o país da diversidade cultural recebe representantes de humanos de todo o planeta. A humanidade representada num momento de tolerância e paz.
Penso, por que não pode ser assim? Por que não vivemos num planeta que efetivamente compartilha o planeta? Por que decidimos entrar numa disputa eterna de quem é mais rico, quem é mais bonito, quem tem a melhor marca, quem come das melhores coisas? Todos nós merecemos o melhor. Por onde anda a própria humanidade? Onde está aquilo que nos torna humanos?
“Imagine all the people
Sharing all the world

Será mesmo que a inteligência é o que nos diferencia das outras espécies? Porque se for isso, nós estamos sendo a espécie mais burra que já existiu, pois estamos criando uma seleção artificial onde não nos adaptaremos ao mundo que estamos criando.
Talvez seja esse o problema. Começamos a criar demais. E o poder da criação é algo que deve ser levado com cuidado. Há dois lados da história: quando criamos coisas, pensamos que somos como deuses, criadores de coisas essenciais (tecnologia, prédios, indústrias...), mas não somos. Estamos apenas usando da inteligência que nos foi dada para que, teoricamente, evoluíssemos. Porém, essa soberba nos fez distanciar das coisas que não foram criadas por nós. Tudo que é natural, e criação de algo antecedente à nós, está gradativamente virando pó, fumaça, aquecimento global, guerras e morte. Penso que nos aproximaríamos de Deus e da nossa espiritualidade, justamente quando entramos em contato com as criações desse Deus (que não é Ele ou Ela, ou coisa, e sim a energia essencial criadora do universo). Um Deus que foge da religião, mas que incetiva que cada um se torne um ser espiritual (além do físico, psicológico e social que já somos). Por outro lado, quando criamos arte, estamos mais próximos de Deus. Criamos algo maior do que nós mesmos, algo intuitivo, algo que foge da razão, algo que toca o outro, e como artista, me sinto feliz de poder ser instrumento. Não temos algo a aprender com isso?
Onde nosso egoísmo está nos levando? Como “donos do mundo”, por que não cuidamos da nossa casa? Dos nossos irmãos? Dos nossos animais?
“Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A Brotherhood of man

Precisamos restabelecer nossa conexão com o divino. Abrir os olhos e despertar desse sono profundo que não dá mais pra dormir, não dá mais pra só sonhar com um mundo melhor, está na hora de agir.
Agir é a palavra. Liberar energia através de ações.
Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too

A partir do momento que decidimos sair da nossa posição de conforto, assim como estou me aventurando a escrever essa carta, nós temos a possibilidade de mudança. Se eu continuasse decidida a estar jogada no sofá assistindo a cerimônia de abertura pela Globo e rindo dos memes no twitter, eu não teria a possibilidade de mudar nada. Mas algo estava gritando dentro de mim, precisava fazer isso. E é isso que precisamos: sair do comodismo.
Te proponho a se mover, te proponho que nos movamos numa mesma direção: avante.
No momento, sinto que esse evento (as Olimpíadas) tem uma grande importância espiritual.
Nós, como humanidade, precisamos nos unir e agir.
Uma voz composta pelo povo brasileiro ecoou no estádio do Maracanã à capella: “moro num país tropical, abençoado por Deus”; Guga ao entregar a tocha olímpica para Hortência, abre um sorriso e diz “vá com Deus”; a mensagem de que precisamos salvar o planeta é algo visto e clamado como uma oração.
Estamos num país com muita energia. Estamos num lugar que mistura todo tipo de gente, que recebe todo tipo de gente e que possui uma hospitalidade sem igual. Me arrisco a dizer que o Brasil possui uma grande espiritualidade. Suas variadas religiões e fés me fizeram perceber que quando convivemos com tanta coisa diferente, nós somos forçados a tolerar. Tolerância é uma forma de respeito.
Respeito é amor. Respeito é amar o próximo como a ti mesmo, é deixar o outro ser o que é. É isso que está faltando no mundo.
Será que nós, país subdesenvolvido em plena crise política temos efetivamente algo a ensinar para o mundo, já que todos os olhos pairam sobre nós nesse momento? E com certeza, a resposta é sim.
Somos todos um.
Mas principalmente, nós, brasileiros, precisamos nos unir. Nós precisamos de uma lição.  Precisamos talvez desse espírito nacionalista que as Olimpíadas nos traz para lutarmos por um país melhor.
Merecemos um governo justo, livre de corrupções e impunidade. Merecemos uma educação de qualidade pelas milhões de crianças que possuem o nosso futuro nas mãos. Precisamos sair da ignorância, precisamos acordar, precisamos de consciência.
Imagina se todo povo que torcesse pelo Brasil, torcesse pelo Brasil? Torcer por um Brasil que merece sair dessa fossa, que merece um governo justo, que torce pela Amazônia, que torce pela preservação das terras indígenas, que torce pela proteção dos animais da nossa fauna, que torce pela diminuição dos tantos poluentes que estamos liberando cada vez mais, que torce pelo fim da desigualdade social, pelo fim do desperdício, pelo fim da fome, da violência...E se torcecemos pelo amor? 
“Imagine all the people
Living life in peace
Eu espero que algo tenha despertado em você. Nós somos a geração da mudança, da quebra dos padrões, da queda dos estereótipos, do combate ao preconceito, a geração do humanitarismo, da solidariedade. Depende de nós. Sim. Depende. E a partir do momento que saímos da ignorância e nos tornamos seres conscientes, fica difícil o estagnamento, fica difícil viver do mesmo jeito, algo te cobra o tempo todo porque agora você vê.
Sabe o que a gente precisa agora, principalmente no Brasil? Precisamos parar de seguir tanto os outros (até metaforicamente dizendo fazendo uma analogia às redes sociais) e precisamos do surgimento de novos líderes. Precisamos de pessoas com ideias novas e com força de vontade para gerar a mudança, com coragem e principalmente, com energia pra fazer o bem. Essa pessoa pode ser eu, você e todos nós.
Consciência é a palavra.
Respeito é a palavra.
Amor é a palavra."
“You may say, I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one





Evy B.

(Trechos retirados da música "Imagine" do John Lennon)




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