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O histórico do despertar da consciência na humanidade


Nesses últimos tempos, tenho investido tempo e energia na minha teoria e na minha espiritualidade. Nas minhas meditações, quando eu não pedia por mais nada, não havia mais desejo do ego, mas sim uma necessidade de apenas ser amor, ser uma só energia, fazer parte do Todo. Os momentos precedidos por esse êxtase, era uma confrontação constante com facetas egóicas que resistiam em cair pra não perder seu controle. A primeira sensação que vinha era de insegurança. O ego está acostumado a ocupar a posição de controle, ou pelo menos possui uma conduta EGOísta de se iludir e defender de sua própria pequenez. O ego, para Jung, é o complexo formado no corpo que é o centro da personalidade consciente, porém, nossa mente não é apenas consciente. Aliás, nada no mundo é uma coisa só. Os elementos são formados e co-criam sua própria oposição simultaneamente à sua existência. Freud já nos explicou que somos seres impulsinados pelo desejo inconsciente. Jung já nos mostrou o arcabouço histórico presente em nossas mentes compondo o vasto e simbólico inconsciente coletivo. Além disso, possuímos um centro da totalidade da personalidade, integrando os opostos da consciência e da inconsciência, o chamado Self, que seria nossa essência, interpretado por alguns como a centelha divina da Totalidade e da energia criadora dentro de nós.
Pensando nisso, quando o meu ego embirrava em não querer perder o controle, me vinham as inseguranças, que nada mais são do que medo. Precisei enfrentar alguns medos para que meu ego se regenerasse através da consciência, entre eles, o medo de ser inútil. Temos medo e somos regidos numa cultura terrorista, e o medo nos paralisa. O paralisamento é o que eu menos desejo se o movimento natural das coisas é evoluir no decorrer do tempo. Então, ao enfrentar meus medos, podia deixar meu ego de lado e me entregar ao Self. Me entregar ao Deus que existe dentro de mim e que deseja que eu me realize sendo o que devo ser, e não o que esperam de mim. Quando isso acontecia, me mergulhava num calor energético delicioso e de vibração de amor que chegava a literalmente vibrar meu corpo. À partir daí comecei a prestar mais atenção aos medos relatados por pessoas do meu cotidiano, e me espantei com a recorrência que tal sensação está presente em seu discurso.
Ontem tirei um livro parado na estante que havia comprado há mais de um ano e não cheguei a começar. Por algum motivo eu o escolhi e cheguei nesse trecho que apresentarei pra vocês e foi muito esclarecedor e totalmente sincrônico com o meu momento atual de vida:

"De repente, estava testemunhando o despertar da consciência. Diante de mim, estendia-se uma vasta e ventosa planície africana. Percebi um movimento; um pequeno grupo de seres humanos, nus, catava frutinhos silvestres. Enquanto assistia à cena, fui me conscientizando daquele período. Intimamente ligados aos ritmos e sinais da natureza, nós, os seremos humanos, vivíamos e reagíamos por instinto. As atividades cotidianas era orientadas para os desafios da busca de alimento e para a afirmação de cada um como membro do seu bando. No alto da hierarquia de poder, estavam os indivíduos fisicamente mais fortes e aptos, e nós aceitávamos nossa posição nessa hierarquia da mesma maneira que aceitávamos as constantes tragédias e dificuldades da existência: sem reflexão.
Enquanto eu assistia, milhares de anos se passaram e incontáveis gerações viveram e desapareceram. Então, aos poucos, certos indivíduos começaram a perder a paciência com os acontecimentos que ficavam rotineiros. Quando uma criança morria em seus braços, o nível de consciência deles aumentava e eles ficavam se perguntando por quê. E pensando como aquilo poderia ser evitado no futuro. Esses indivíduos estavam ficando conscientes - começando a perceber por que estavam aqui, agora, vivos. Tinham a capacidade de deixar de reagir como autômatos e passar a vislumbrar a razão de ser da existência em todo o seu alcance. A vida, sabiam, continuava através dos ciclos de Sol e da Lua e das estações, mas, como atestavam os mortos em volta deles, tinha também um fim. Qual era o propósito?
Olhando atentamente para esses indivíduos questionadores, pude captar suas Visões de Nascimento (a visão que se teve no plano espiritual antes de nascer sobre a escolha da família e de sua missão terrena); eles haviam chegado à dimensão terrena com o propósito específico de dar início ao primeiro despertar existencial da humanidade. E, embora eu não conseguisse ver todo o alcance de seu objetivo, sabia que no fundo eles guardavam na mente a inspiração mais ampla da Visão do Mundo. Antes de nascer, eles sabiam que a humanidade estava embarcando em uma longa viagem que eles já anteviam. Mas também sabiam que, nessa viagem, o progresso tinha de ser conquistado, geração após geração -  pois à medida que despertávamos para ir em busca de um destino mais elevado, íamos perdendo a tranquilidade da inconsciência. Junto com a animação e a liberdade de saber que estávamos vivos, vieram o medo e a insegurança de não saber por que estávamos vivos.
Pude ver que a longa história da humanidade seria movida por essas duas necessidades conflitantes. Por um lado, seríamos impelidos a vencer nossos medos pela força de nossas intuições, pela visão de que vivemos para realizar um objetivo específico: fazer a cultura avançar numa direção positiva que só nós, como indivíduos, agindo com coragem e sabedoria, podemos inspirar. A força desses sentimentos nos lembraria que, por mais insegura que parecesse a vida, nós, na verdade, não estávamos sós, que havia uma finalidade e um significado por trás do mistério da existência.
Mas, por outro lado, frequentemente caíamos no extremo oposto, a necessidade de nos proteger do Medo, às vezes perdendo de vista o objetivo, dominados pela angústia da separação e do abandono (Freud explica). Esse Medo nos tranfsormaria em seres assustados e na defensiva, lutando para manter nossas posições de poder, roubando energia uns dos outros e sempre resistindo a mudanças e à evolução, independentemente da qualidade das novas informações disponíveis.
À medida que o despertar prosseguia, milênios se passavam, e eu ia vendo como os seres humanos aos poucos foram se unindo em grupos cada vez maiores, movidos pelo impulso natural de identificar-se com um número maior de pessoas, de passar para organizações sociais mais complexas. Pude ver que esse impulso vinha da vaga intuição, conhecida em sua totalidade na Outra Vida (a espiritual), de que o destino dos seres humanos na Terra era evoluir para a unificação. Seguindo essa intuição, percebemos que podíamos deixar de ser apenas caçadores nômades e passar a cultivar as plantas da Terra e colhê-las regularmente. Do mesmo modo, podíamos domesticar e criar várias espécies animais, garantindo uma alimentação variada e rica em proteínas. Com as imagens da Visão do Mundo no fundo do nosso inconsciente (inconsciente coletivo, descrito por Jung), estimulando-nos de uma forma arquetípica, começamos a assistir ao que seria uma das mais dramáticas transformações da história da humanidade: o salto do nomadismo para a formação de grandes vilas agrícolas. 
Quando essas comunidades agrícolas se tornaram mais complexas, o excedente de alimentos fez surgir o comércio e a humanidade pôde se organizar no que vieram a ser os primeiros grupos profissionais - pastores, construtores e tecelões, depois mercadores e serralheiros e soldados. Logo inventaram a escrita e a tabulação. Mas os caprichos da natureza e os desafios da vida ainda afetavam profundamente a consciência da humanidade em seus primórdios, e ainda havia aquela pergunta não verbalizada pairando no ar: por que estávamos vivos?  Como antes, assistir à Visão de Nascimento desses indivíduos que desejavam compreender a realidade espiritual num nível mais elevado. Eles vinham à dimensão terrena especificamente para conscientizar mais os seres humanos da fonte divina, mas suas primeiras intuições do divino continuavam confusas e incompletas, assumindo formas politeístas. A humanidade começou a identificar o que supúnhamos ser a multidão de divindades cruéis e exigentes, deuses que existiam fora de nós mesmos e regiam o tempo, as estações e os estágios da colheita. Inseguros, pensávamos que precisávamos aplacar estes deuses com ritos, rituais e sacrifícios.
Ao longo dos séculos, as inúmeras comunidades agrícolas foram se unindo e vieram a formar grandes civilizações na Mesopotâmia, o Egito, no vale do Indo, em Creta e no nordeste da China, cada qual criando seus próprios deuses e ídolos. Mas essas divindades não conseguiram evitar a ansiedade por muito tempo. Vi gerações de espíritos passarem à dimensão terrena com a intenção de trazer a mensagem de que a humanidade estava destinada a progredir através do intercâmbio do conhecimento. No entanto, uma vez aqui, esses indivíduos sucumbiam ao Medo e transformavam essa intuição numa necessidade inconsciente de conquistar, dominar e impor seu modo de vida à força.
Assim começou a grande era dos impérios e dos tiranos, com os líderes ascendendo ao poder uns após outros, unindo seu povo, conquistando todos os territórios que podiam, cada qual convencido de que os pontos de vista de sua cultura deveriam ser adotados por todo mundo. No entanto, ao longo de toda essa era, esses tiranos, por sua vez, acabaram sempre conquistados e subjugados por uma visão cultural mais ampla e mais forte. Por milhares de anos, diferentes impérios foram subindo  como bolhas ao topo da consciência da humanidade, disseminando suas ideias, ascendendo temporariamente com uma realidade, um plano econômico e uma tecnologia de guerra mais efetivos, simplesmente para logo serem depostos por uma visão mais forte e organizada Lentamente, por esse método, ideias velhas e fora de moda eram substituídas.
Pude ver que, por mais lento e sangrento que fosse esse processo, verdades-chave iam pouco a pouco passando da dimensão espiritual para a dimensão física. Uma dessas verdades mais importantes - uma nova ética de interação - começou a emergir em vários pontos do planeta, mas foi expressa com maior clareza pela filosofia dos gregos antigos. Instantaneamente, pude ver a Visão de Nascimento de centenas de membros da cultura grega, cada qual desejando recordar essa visão oportuna.
Por muitas gerações, eles haviam visto o desperdício e a injustiça da violência interminável da humanidade para com ela mesma, e sabiam que os homens podiam transcender o hábito de lutar e conquistar outros povos e implementar um novo sistema de intercâmbio de ideias, um sistema que protegesse o direito soberano de cada indivíduo a ter uma opinião própria, independentemente da força física - um sistema que já era conhecido e seguido na dimensão espiritual. Enquanto eu assistia, essa nova modalidade interativa foi surgindo e tomando forma na Terra, finalmente tornando-se conhecida como democracia.
Nesse método de intercâmbio de ideias, a comunicação entre os seres humanos às vezes descambava para uma luta insegura pelo poder, mas pelo menos agora, pela primeira vez, o processo estava encaminhando para que se buscasse a evolução da realidade do sr humano no nível verbal e não no físico.
Ao mesmo tempo, outra ideia seminal, destinada a transformar completamente o que se entendia por realidade espiritual, estava aparecendo nas histórias escritas de uma pequena tribo do Oriente Médio. Do mesmo modo, também pude ver a Visão de Nascimento de muitos proponentes dessa ideia. Essas pessoas, nascidas na cultura judaica, sabiam antes de nascer que estávamos certos ao intuir uma fonte divina, mas, ao mesmo tempo, nossa descrição dessa fonte era falha e distorcida. Nosso politeísmo era apenas uma cena fragmentada de um quadro mais amplo. Na verdade, essas pessoas se deram conta de que havia um só Deus, um Deus que para elas ainda era exigente, e ameaçador, e patriarcal - e ainda vivendo fora de nós -, mas pela primeira vez, pessoal e receptivo, e o único criador de todos os seres humanos.
Em seguida, vi essa intuição de uma fonte divina emergir e se definir em culturas pelo mundo inteiro. Na China e na Índia, que há muito eram líderes em matéria de tecnologia, comércio e desenvolvimento social, o Hinduísmo e o Budismo, assim como outras religiões orientais, fizeram o Oriente se voltar para um foco mais contemplativo.
Os criadores dessas religiões intuíram que Deus era mais do que um personagem. Era uma força, uma consciência que só podia ser encontrada em sua plenitude quando se atingia o que eles descreviam como uma experiência de iluminação (algo relacionado à luz, que na física quântica é postulada pelo princípio da dualidade partícula-onda: Ela postula que toda a matéria exibe propriedades de onda e partícula). Em vez de apenas agradar a Deus pela obediência a certas leis e ritos, as religiões orientais preconizavam uma abertura da consciência para uma harmonia e uma segurança que estavam sempre disponíveis. 
Rapidamente a cena passou para o Mar da Galiléia, e pude ver que a ideia de Deus uno que acabaria transformando as culturas ocidentais estava evoluindo da noção de uma divindade fora de nós, patriarcal e crítica, para a ideia de um Deus interiorizado, um Deus cujo reino estava em cada um de nós. Vi quando um homem passou para a dimensão terrena lembrando praticamente toda a sua Visão de Nascimento.
Ele sabia que estava aqui para trazer ao mundo uma nova energia, uma nova cultura baseada no amor. Sua mensagem era o seguinte: o Deus era um espírito sagrado, uma energia divina, cuja existência podia ser sentida e provada pela experiência. Despertar espiritualmente significava mais do que rituais, sacrifícios e orações comunitárias. Envolvia um arrependimento mais profundo; um arrependimento que era uma mudança da atitude psicológica baseada na supressão dos vícios do ego e num "abandonar-se" transcendental que garantiria os verdadeiros frutos da vida espiritual.
Na época em que essa mensagem começou a se difundir, vi quando o império mais influente de todos, o Romano, adotou a nova religião e levou a ideia de Deus uno e interno a muitos povos da Europa. Mais tarde, quando os bárbaros do norte atacaram, desmembrando o império, a ideia sobreviveu na organização feudal da cristandade que veio a seguir.
Neste ponto, vi os apelos dos Gnósticos, instando a Igreja focalizar mais a experiência interna e transformadora, usando a vida de Cristo como um exemplo do que cada um de nós podia conseguir. Vi a Igreja sucumbir ao Medo, seus líderes pressentindo uma perda de controle, construindo uma doutrina em torno da hierarquia poderosa dos clérigos, que se impunham como mediadores, concessionários do espírito para o povo. Depois, todos os textos Gnósticos foram tachados de blasfemos e excluídos da Bíblia.
Embora muitos indivíduos chegassem da dimensão da Outra Vida com a intenção de expandir e democratizar a nova religião, aquela foi uma época de grande medo, e os esforços para atingir outras culturas foram mais uma vez confundidos com a necessidade de dominar e controlar.
Aqui vi novamente as seitas dos franciscanos, que desejavam incutir nos seres humanos uma reverência pela natureza e um retorno à experiência interior do divino. Esses indivíduos haviam passado à dimensão terrena com a intuição de que o dilema Gnóstico acabaria sendo resolvido, e estavam determinados a preservar os antigos textos e manuscritos até isso acontecer.
No entanto, pude ver claramente que uma nova era começava no Ocidente. O poder da Igreja estava sendo desafiado por outra unidade social: o estado-nação. Quando os povos da Terra foram se inteirando uns dos outros, a era dos grandes impérios foi chegando ao fim. Surgiram novas gerações capazes de intuir nosso destino de unificação, trabalhando para promover uma consciência de identidade nacional baseada na língua comum e mais intrinsecamente ligada a um país independente. Esses estados ainda eram dominados por líderes autocráticos cujo poder era considerado divino, mas uma nova civilização estava se desenvolvendo, com fronteiras reconhecidas, moeda e rotas de comércio definidas.
Finalmente, na Europa, com a difusão da riqueza e da educação, teve início um grande renascimento. Vi a Visão de Nascimento de muitos participantes deste período. Eles sabiam que o destino dos seres humanos era desenvolver uma democracia forte, e chegaram esperando implantá-la. Os escritos dos gregos e romanos foram descobertos, estimulando a memória das pessoas. Os primeiros parlamentos democráticos foram criados e o povo começou a clamar pelo fim do direito divino dos reis e do jugo sanguinário da Igreja sobre a realidade espiritual e social. Logo veio a Reforma Protestante, que prometia que as pessoas podiam ter acesso direto às Escrituras e conceber uma ligação direta com o divino.
Ao mesmo tempo, indivíduos em busca de mais autonomia e liberdade estavam explorando o continente americano, uma massa de terra simbolicamente colocada entre as culturas do Oriente e do Ocidente. Assistindo à Visão de Nascimento dos europeus mais inspirados para entrar nesse novo mundo, pude ver que eles vieram sabendo que essa terra já era habitada, cônscios de que a comunicação e a imigração só deveriam ter início mediante um convite. No fundo, eles sabiam que os americanos seriam o equilíbrio, o caminho de volta para uma Europa que ia rapidamente perdendo a noção da sagrada intimidade com a natureza e descambando para um secularismo arriscado. As culturas nativas americanas, apesar de imperfeitas, forneciam um modelo que poderia ajudar os europeus a recuperarem suas raízes.
No entanto, também por causa do Medo, esses indivíduos só foram capazes de intuir o impulso de vir para esta terra, pressentindo uma nova liberdade de ação e de pensamento, mas trazendo consigo a necessidade de dominar, conquistar e buscar a própria segurança. As grandes verdades das culturas nativas foram relegadas na ânsia de explorar os imensos recursos naturais da região.
Enquanto isso, o Renascimento prosseguia na Europa. O poder da Igreja para definir a realidade estava diminuindo, e os europeus sentiam-se como se estivessem despertando para uma nova concepção de vida. Graças à coragem de inúmeros indivíduos, todos inspirados pela memória intuitiva, o método científico foi adotado como um processo democrático para o estudo do mundo no qual os seres humanos viviam. Esse método - observar um aspecto da natureza, tirar conclusões e em seguida expô-las - foi considerado o processo gerador de consenso que permitiria, finalmente, que entendêssemos a situação real da humanidade neste planeta e também sua natureza espiritual.
Mas o Medo arraigado na Igreja fez com que se tentasse reprimir essa nova ciência. As forças políticas alinharam de ambos os lados e chegou-se a um meio-termo. A ciência estava liberada para explorar o mundo material, mas tinha de deixar os fenômenos espirituais a cargo dos clérigos, que ainda eram influentes. Todo o mundo interior da experiência - nossos mais elevados estados de percepção da beleza e do amor, as intuições, coincidências, os fenômenos interpessoais e até os sonhos - tudo isso - era, a princípio, interditado à nova ciência.
Apesar dessas restrições, a ciência começou a mapear e descrever o funcionamento do mundo físico, fornecendo informações que impulsionaram o comércio e a utilização dos recursos naturais. A segurança econômica aumentou, e aos poucos fomos perdendo a noção do mistério e abandonando nosso sincero questionamento sobre o propósito da vida. Decidimos que sobreviver e construir um mundo melhor para nós mesmos e para nossos filhos já justificava nossa existência. Fomos entrando num transe coletivo que negava a realidade da morte e criava a ilusão de que o mundo era banal, e estava explicado, e não tinha mistério nenhum.
Apesar da nossa retórica, aquele nosso sentimento, que já fora uma intuição forte, de que havia uma fonte espiritual estava sendo recalcado (reprimido em nosso inconsciente e dificultado de emergir à consciência). Nesse crescente materialismo, Deus só podia ser visto como uma divindade distante, um Deus que apenas criara o mundo e saíra de cena para deixá-lo funcionar mecanicamente, como uma máquina previsível, com todo efeito tendo uma causa, e acontecimentos desconexos ocorrendo apenas por acaso, sem explicação.
No entanto, aqui eu via a intenção da existência de muitos indivíduos dessa época. Eles chegaram a esse mundo sabendo que o desenvolvimento da tecnologia e da produção era importante, porque poderia ser aprimorado e vir a ser não poluente e sustentável e que poderia dar uma liberdade inimaginável à humanidade. Mas no início, nascidos naquele ambiente, eles lembravam apenas da intuição geral de construir, produzir e trabalhar, agarrados ao ideal democrático.
A visão mudou, e pude ver que nenhum lugar essa intuição foi tão forte quanto nos Estados Unidos, com sua Constituição democrática e seu sistema de equilíbrio de poderes. Como uma experiência grandiosa, a América se preparou para o rápido intercâmbio de ideias que caracterizaria o futuro. Porém, por baixo daquilo, as mensagens dos nativos, dos negros e de outros povos, que sustentaram o início da experiência americana, chamavam para serem ouvidas, para serem incorporadas à mentalidade europeia.
No século XIX, estávamos à beira de uma segunda grande transformação da sociedade, uma transformação baseada nas novas fontes de energia que eram o petróleo, o vapor, e finalmente, a eletricidade. A economia se tornara um amplo e complicado campo de ação que fornecia mais produtos do que nunca graças ao surgimento de novas técnicas. As pessoas estavam se mudando em massa das comunidades rurais para os grandes centros urbanos de produção, passando da vida do campo para o desenvolvimento com a nova e especializada Revolução Industrial.
Nessa época, a maioria das pessoas acreditava que um capitalismo de bases democráticas sem o entrave da regulamentação do governo, era o sistema econômico ideal. No entanto, mais uma vez, assistindo a Visão de Nascimento, pude constatar que a maioria das pessoas nascidas neste período tinha esperanças de fazer o capitalismo se aperfeiçoar. Infelizmente, o nível do Medo era tal que elas só conseguiram intuir um desejo de obter segurança individual, de explorar os empregados e maximizar os lucros em cada transição, muitas vezes entrando em negociatas com os concorrentes e com o governo. Essa foi a grande era dos barões ladrões e dos cartéis secretos dos bancos e da indústria.
No entanto, no final do século XX, por causa dos abusos do capitalismo desenfreado, dois outros sistemas econômicos foram apresentados como alternativas. Pouco antes, na Inglaterra, dois homens haviam lançado um "manifesto alternativo" que clamava por um novo sistema, dirigido pelos trabalhadores, que criaria uma utopia econômica onde os recursos de toda a humanidade estariam ao alcance de cada pessoa de acordo com sua necessidades, sem ganância nem competição.
Nas péssimas condições de trabalho da época, a ideia atraiu muitos adeptos. Mas eu logo vi que esse "manifesto" materialista dos trabalhadores havia sido um desvirtuamento da intenção original. Quando a Visão de Nascimento dos dois homens apareceu, percebi que o que eles estavam intuindo era que o destino da humanidade podia ser aquela utopia. Infelizmente não conseguiram lembrar que essa utopia só poderia alcançada por meio da participação democrática, nascida do livre-arbítrio e lentamente evoluída.
Consequentemente, os iniciadores desses sistema comunista, desde a primeira revolução na Rússia, incorreram no erro de pensar que esse sistema poderia ser implantado a força e pela ditadura, uma abordagem que só criou miséria e custou milhares de vidas. Em sua impaciência, os indivíduos envolvidos vislumbraram uma utopia, mas criaram o comunismo e décadas de tragédia.
A cena mudou para a outra alternativa e um capitalismo democrático: o horror do fascismo. Esse sistema foi criado para aumentar os lucros e o controle de uma elite dominante, que se considerava a liderança privilegiada da sociedade. Essa elite acreditava que somente pela abolição da democracia e pela união do governo com as novas lideranças industriais uma nação podia atingir seu potencial máximo e se impor no mundo.
Vi claramente que, criando um sistema como esse, essas pessoas estavam totalmente inconscientes das respectivas Visões de Nascimento. Elas vieram a esse mundo desejando apenas promover a ideia de que a sociedade estava evoluindo para chegar à perfeição e de que uma nação de pessoas totalmente mobilizadas em torno de uma finalidade, esforçando-se para realizar todo o seu potencial, alcançaria níveis elevadíssimos de energia e eficácia. O que foi criado foi uma visão medrosa e egoísta que defendia o princípio errôneo da superioridade de certas raças e nações e a possibilidade de se desenvolver uma supernação cujo destino era governar o mundo. Mais uma vez, a intuição de que todos os seres humanos estavam evoluindo para chegar à perfeição foi confundida por homens fracos e covardes e transformada no reino assassino do Terceiro Reich.
Vi outros - que também vislumbravam o aperfeiçoamento da humanidade, mas que estavam mais em contato com a importância de uma democracia forte - intuírem que precisavam combater ambas as alternativas e uma economia que se expressasse livremente. A primeira reação resultou numa guerra mundial sangrenta contra distorção do fascismo, vencida a um custo altíssimo. A segunda resultou numa longa Guerra Fria contra o bloco comunista.
De repente me vi focalizando os Estados Unidos durante os primeiros anos dessa Guerra Fria, a década de 1950. Nessa época, a América estava absoluta, no auge do materialismo secular, uma preocupação de quatrocentos anos. Graças à riqueza e à segurança, agora havia uma grande classe média, e uma geração muito numerosa nasceu em meio a esse sucesso material, uma geração cujas intuições ajudariam a levar a humanidade à terceira grande transformação.
Essa geração cresceu sendo constantemente lembrada que vivia no maior país do mundo, na terra dos homens livres, com a liberdade e a justiça para todos os cidadãos. porém, quando ficavam mais velhos, alguns membros dessa geração encontraram uma disparidade perturbadora entre essa popular auto-imagem americana e a realidade.  Acharam que muitos nessa terra - as mulheres e certas minorias raciais -, por lei e por praxe, definitivamente não eram livres. Nos anos 1960, a nova geração estava estudando atentamente a imagem dos Estados Unidos e muitos estavam encontrando nela aspectos perturbadores, como por exemplo, um patriotismo cego que esperava que os jovens fossem para uma terra estrangeira lutar numa guerra política, cujos objetivos não eram claramente expressos, e cujas esperanças de vitória eram nulas.
Igualmente perturbadora era a prática espiritual dessa sociedade. O materialismo dos quatrocentos anos anteriores havia recalcado totalmente o mistério da vida e da morte. Muitas pessoas achavam que as igrejas e sinagogas eram cheias de rituais pomposos e vazios. A frequência parecia mais social do que espiritual, e os membros demasiadamente preocupados com a opinião de seus pares a seu próprio respeito.
À medida que a visão se desenrolava, pude ver que a tendência dessa geração à análise e à crítica provinha de uma intuição profundamente arraigada de que a vida não era só o que a realidade material considerava. A nova geração pressentiu um novo significado espiritual prestes a despontar e começou a estudar outra religiões e pontos de vista espirituais menos conhecidos. Pela primeira vez, as religiões orientais foram compreendidas, o que serviu para validar a intuição generalizada de que a percepção espiritual era uma experiência interior, uma mudança de consciência que transformava para sempre nossa noção de identidade e propósito. Do mesmo modo, os escritos cabalísticos judeus e os místicos cristãos do Ocidente, como Meister Eckehart e Teilhard de Chardin, nos deram outras intrigantes descrições de uma espiritualidade mais profunda.
Ao mesmo tempo, informações das ciência humanas - sociologia, psiquiatria, psicologia e antropologia - estavam vindo à tona, assim como a física moderna, lançando uma nova luz sobre a natureza da consciência e da criatividade dos seres humanos. Essa combinação de pensamento com a perspectiva do Oriente foi se cristalizando no que mais tarde foi chamado de Movimento do Potencial Humano, a crença emergente de que os seres humanos atualmente usavam apenas uma parte mínima de seu vasto potencial físico, psicológico e espiritual.
Vi essa informação e a experiência espiritual que ela gerou ir se alastrando ao longo de décadas até formar uma massa crítica de consciência, um salto de consciência que nos levou a formular uma nova visão definindo a razão de ser da vida humana.
No entanto, mesmo enquanto essa nova visão estava se cristalizando, contagiando todo mundo como uma epidemia de consciência, muitos da nova geração começaram a recuar, alarmados com a crescente instabilidade da sociedade que parecia corresponder à chegada de um novo paradigma. Por centenas de anos, os princípios da antiga visão de mundo mantiveram uma ordem bem definida e até rígida para a vida dos seres humanos. Todos os papeis eram claramente definidos e todo mundo sabia o seu lugar: por exemplo, os homens no trabalho, as mulheres e as crianças em casa, as famílias nucleares genéticas intactas, uma ética de trabalho ubíqua. Esperava-se que s cidadãos descobrissem um lugar na economia, que se realizassem tendo uma família e filhos, e que soubessem que a finalidade da vida era viver e criar um mundo materialmente mais seguro para a geração seguinte.
Então veio a onda de questionamento, análise e crítica dos anos 1960, e essas regras rígidas começaram a ruir. O comportamento já não era mais ditado por convenções fortes. Todo mundo agora parecia fortalecido, liberado, livre pra definir um curso da própria vida, para ir atrás dessa nebulosa ideia de potencial. Nesse clima, a opinião dos outros deixou de ser o fator determinante de nossas ações e de nossa conduta; cada vez mais, nosso comportamento passou a ser determinado pelo que sentíamos, por nossa própria ética.
Para aqueles que verdadeiramente adotaram um ponto de vista mais espiritual e vivido, caracterizado pela honestidade e pelo amor ao próximo, o comportamento ético não era problema. Mas o que preocupava eram aqueles que haviam perdido as diretrizes e ainda não haviam formado um forte código interno pra viver. Eles pareciam estar caindo numa terra de ninguém, onde tudo era permissível: crime, drogas e vícios de todos os tipos, sem falar na perda da ética de trabalho. Para piorar, parece que muitos estavam usando as novas descobertas do Movimento do Potencial Humano para sugerir que criminosos e transviados não eram realmente responsáveis pelas próprias ações, mas, ao contrário, eram vítimas de uma sociedade opressiva que descaradamente propiciava aquelas condições sociais que moldavam esse comportamento.
Ali assistindo, compreendi o que eu estava vendo: começava rapidamente a se formar um mundo inteiro de polarização de pontos de vista à medida que os indecisos agora reagiam contra uma visão cultural que eles consideravam estar levando ao caos e à incerteza, talvez até a total desintegração de seu modo de vida. Nos Estados Unidos, sobretudo, um número crescente de pessoas se convencia de que agora estava diante do que vinha a ser uma luta de morte contra a permissividade e o liberalismo dos últimos 25 anos - uma guerra cultural, como chamavam-, onde o que estava em jogo era nada menos que a sobrevivência da civilização ocidental. Vi que muitas delas até já davam a causa como praticamente perdida e assim reclamavam uma ação extrema.
Diante dessa reação, vi os próprios defensores do Potencial Humano adotarem uma postura covarde e defensiva, pressentindo que muitos avanços duramente conquistados em termos de direitos individuais e consciência social agora corriam o risco de serem varridos por uma onda de conservadorismo. Muitos consideravam essa reação ao liberalismo um ataque das forças potencializadas da ganância e da exploração, que estavam crescendo numa tentativa final para dominar os membros ainda mais fracos da sociedade.
Aqui pude ver claramente o que intensificava a polarização: cada lado achava que o outro era uma conspiração do mal.
Os defensores da antiga visão do mundo já não consideravam os partidários do Potencial Humano ingênuos nem mal orientados, e sim parte de uma conspiração maior de socialistas de altos escalões governamentais, adeptos ferrenhos da solução comunista, cujo intuito era provocar exatamente o que estava ocorrendo: uma tal erosão dos valores culturais que um governo forte podia assumir e consertas as coisas. Em sua opinião, a conspiração estava usando o medo do aumento da criminalidade como desculpa para registrar armas e sistematicamente desarmar a população, aumentando os poderes de uma democracia centralizada que finalmente monitoraria a movimentação do dinheiro em espécie e de cartões de crédito via Internet, justificando o crescente controle da economia eletrônica como forma de prevenir a criminalidade, ou como uma necessidade para recolher impostos ou evitar sabotagem. Enfim, talvez com a desculpa da iminência de um desastre natural, o Grande Irmão viria confiscar a riqueza e impor a lei marcial.
Para os defensores da liberação e das mudanças, o cenário oposto parecia mais provável. Em face dos ganhos políticos dos conservadores, todas as coisas pelas quais eles trabalharam pareciam estar desmoronando diante de seus olhos. Eles também estavam vendo a criminalidade aumentar e a estrutura familiar se desintegrar, só que para eles a causa disso não era a presença excessiva do governo, mas a ausência, tarde demais.
Em todas as nações, o capitalismo foi um fracasso para roda uma classe social por um motivo claro: os pobres eram alijados do sistema. Não tinham acesso a uma boa educação. Não tinham oportunidades de emprego. E, em vez de colaborar, o governo parecia estar recuando, desperdiçando os programas de erradicação da pobreza com todas as outras conquistas árduas dos últimos 25 anos.
Pude ver claramente que os reformadores, cada vez mais desiludidos, começavam a acreditar no pior: que aquela guinada para a direita só podia ser o resultado da manipulação e do controle crescentes que as grandes corporações mundiais exerciam em benefício de seus interesses. Esses interesses pareciam estar comprando governos, comprando a mídia e, em última instância, como na Alemanha nazista, o mundo acabaria lentamente sendo dividido entre os que tinham e os que não tinham, com as corporações maiores e mais ricas tirando os pequenos empresários do mercado, controlando cada vez mais a riqueza. Naturalmente haveria tumultos, mas isso seria uma brincadeira para as elites que já teriam reforçado o controle policial.
Minha consciência de repente subiu de nível e eu finalmente entendi inteiramente a polarização do Medo: havia muita gente gravitando em torno de uma perspectiva ou de outra, e ambos os lados viam a questão como uma guerra do bem contra o mal, e um atribuía ao outro a liderança de uma grande conspiração.
E, por trás disso, compreendi então a crescente influência dessas pessoas que afirmavam poder explicar esse mal emergente. Eram os analistas do fim do mundo. No crescente turbilhão da transição, esses intérpretes começavam a ganhar mais força. Para eles, as profecias da Bíblia deveriam ser entendidas literalmente, e o que eles viam na incerteza dos nossos tempos era a preparação para a chegada do anunciado apocalipse. Logo começaria a guerra santa em que os homens seriam divididos entre as forças das trevas e os exércitos de luz. Eles viam essa guerra como um verdadeiro conflito físico, rápido e sangrento e, para os que sabiam que aconteceria, só havia uma decisão importante: escolher o lado certo quando a luta começasse.
Mas simultaneamente, assim como por ocasião de outras reviravoltas marcantes na história da humanidade, pude enxergar além do Medo e da contenção e ver a Visão de Nascimento dessas pessoas. Nitidamente todas elas, de ambos os lados da polarização, entraram na dimensão física desejando que essa polarização não fosse intensa. Queríamos uma transição suave da antiga visão de mundo materialista para essa espiritual. e queríamos uma transformação em que as tradições melhores e mais antigas fossem reconhecidas e integradas no novo mundo que emergia.
Pude ver claramente que esse estado de beligerância crescente era uma aberração, que não era intencional e era provocado pelo Medo. Nossa visão original preconizava a manutenção da ética da sociedade e a garantia de plena liberdade para os indivíduos, com a proteção do meio ambiente; e essa criatividade econômica seria conservada e transformada para sempre com a introdução de um propósito espiritual irresistível. Além disso, esse propósito espiritual poderia baixar plenamente no mundo e iniciar uma utopia de uma forma que satisfaria simbolicamente as previsões apocalípticas das Escrituras."

Trecho retirado do livro: A décima profecia - aprofundando a visão
Autor: James Redfield
Editora: Objetiva
Ano: 1996 <<<

Prestaram atenção no ano de publicação?? E mesmo assim o tema está super atualizado podendo claramente ser comparado com a situação política em que o Brasil se encontra (trecho destacado em azul no texto).
As partes entre parênteses no texto foram adicionadas com pensamentos que quis corroborar ou esclarecer.
Pra mim ficou claro que precisamos superar esse Medo. Além de que já havia lido alguns textos que diziam sobre a mudança vibracional que a terra está passado, e lá dizia que a Terra estava na 3ª dimensão. que seria uma dimensão marcada pelo materialismo, as questões terrenas e principalmente uma forte vibração de medo. A Terra então estaria passando por um processo de mudança para outra dimensão, mais espiritualizada e evoluída, mas pra isso deveríamos resgatar nosso contato com o divino, começando pela mudança interna e integração de nossos opostos, para então poder transcender. Acho que faz muito sentido com o que o texto veio a falar, e acho incrível como tudo vai se encaixando!
Espero que tenham gostado <3
Até o próximo post


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